Lógica no consumo sim, no consumidor não!

Estou concluindo uma pesquisa sobre neuromarketing, que gerou uma reflexão bem interessante e achei conveniente compartilhar. O neuromarketing, que tem em sua base a neurociência, isenta as possibilidades do “pensar” por parte do ser humano e trata a ciência como exata, baseada em estímulos (óbvio que existem muitas versões sobre este tema) . Então, farei uma análise do “comportamento do consumidor” relacionando Comportamento e Pensamento.

Primeiro é fundamental uma contextualização sobre “pensamento”. Pensar é uma forma e processo mental. Considerando que o processo mental é baseado em estímulos, e o pensar pode ser considerado um administrador desta “reação”, o ato de pensar permite as pessoas modelarem o mundo e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metas, planos e desejos.

Destacarei dois tipos de pensamentos para fortalecer o desenvolvimento desta reflexão: o Pensamento Anedótico e o Pensamento Estatístico:

– O termo anedótico origina-se, neste contexto, da língua inglesa. O adjetivo anecdotal tem o sentido de “não publicado” ou, se publicado, “sem comprovação científica”, “sem verificação experimental”. Sendo assim, poderíamos caracterizar o Pensamento Anedótico como algo não exato, em desenvolvimento, em construção ou com grande possibilidade de geração do “novo”.

– Snee (1990) valoriza o pensamento estatístico admitindo que “a variação está em tudo ao nosso redor e presente em tudo que fazemos, que todo trabalho é uma série de processos interligados; e que identificar, caracterizar, quantificar, controlar e reduzir variação fornece oportunidades de melhoria”. Estatisticamente falando, a medição é a única forma de se efetivar a observação de um fenômeno que apresenta variações.

Se considerarmos que “o principal veículo do processo de conscientização é o pensamento”, logo perceberemos que o paralelo que está sendo provocado é que o comportamento do consumidor está baseado em uma “reação” oriunda de seus pensamentos. E que nos dois tipos de pensamentos aqui isolados, podemos sempre “esperar” uma “percepção” anedótica ou estatística por parte do consumidor com relação a qualquer mensagem que ele receba. Quando o desconhecido impacta a mente do consumidor, ele automaticamente associa uma experiência, informação ou conhecimento para compreensão do fato.

Quando entendemos o processo do comportamento do consumidor através deste ângulo, logo notamos que a reação do consumidor sobre qualquer mensagem que ele receba e interprete é algo sempre inesperado, depende do conhecimento e experiências anteriores específicas deste indivíduo.

Levando esta forma de raciocínio para o ambiente do marketing, especialmente para o branding, poderemos observar que além do produto, na mente do consumidor, existe uma “marca”. As pessoas dificilmente criam relações com os produtos que consomem, esta relação é criada com as marcas que estes produtos carregam. Não existe como relacionar-se com um produto, ele não responde, não evolui, não interpreta e nem compreende as necessidades de quem o consome. Quem faz este trabalho são as empresas que produzem estes produtos, as “marcas”, que são responsáveis por todo o atendimento das necessidades dos consumidores com relação aquele produto.

Se interpretarmos as formas de pensamento anedótico e estatístico, sobre marcas presentes no mercado, estaremos aproximando a percepção do produto pela ótica do consumidor, e somente assim entenderemos como o comportamento do consumidor pode influenciar efetivamente a evolução de um produto ou marca no mercado.

Ou seja, Lógica no consumo sim, no consumidor não!