Uma “simples” ideia

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Nada substitui uma grande ideia.
O planejamento estrutura uma ideia para virar campanha.
A tecnologia serve como plataforma pra que a ideia seja espalhada.
As mídias levam as ideias para os mais diversos públicos.
Mas, a grande questão que o Festival Mundial de Publicidade que acontece em Gramado traz para debate, em sua 18a edição, é: Onde está a ideia?

Não param de surgir novos meios de comunicação para relacionar as marcas com os consumidores e, naturalmente, junto com eles, agências específicas para trabalhar em cada novo canal existente. Agências especialistas destacam-se pela facilidade e conhecimento de causa, pois tem condições de aplicar a melhor técnica, ou tecnologia, para levar a mensagem aos consumidores. A área de planejamento tem ganhado muito espaço dentro das agências para que sejam explorados diferentes caminhos de comunicação, não permitindo que as mensagens fiquem limitadas a um canal específico. Mas, a origem disto tudo, onde nasce a mensagem, a inspiração, continua sendo uma “simples” ideia.

Mas, afinal, o que mudou?! A principal mudança está no comportamento e acesso a informação. Pensar na busca de inspiração sobre um determinado assunto, eliminando a possibilidade de uma busca na internet, é algo inimaginável. As referências estão ao alcance de todos, a informação está disponível, e de forma rápida e simples. Isto nos leva a uma palavra muito na moda no momento: Colaboração; Pessoas, espalhadas em todas as partes do mundo, compartilhando informações, debatendo assuntos de seu interesse, e ainda mantendo registro disto tudo na internet. Com tanta informação disponível, a possibilidade da concepção de uma nova ideia não pode ser mais controlada, ela pode nascer em qualquer lugar, a qualquer momento.

Por mais diversos os canais de busca de informações, as ideias continuam com uma única origem real: a mente das pessoas. Como já dizia um dos papas da criação mundial, que completaria 100 anos este mês, Bill Bernbach: “O conhecimento está disponível para todos. Apenas a verdadeira intuição, saltando do conhecimento para uma ideia, é sua e apenas sua.”

As ideias surgem de pessoas, e para fins específicos, que é a grande vantagem das agências, que podem reunir de forma rápida um grande número de informações e transformá-las em uma ideia que pode mudar toda relação de um determinado consumidor com a marca do cliente. Criativos espalham-se em agências especialistas e modernas, buscando o mesmo que a primeira agência de publicidade da história queria: uma ideia que transforme uma marca/produto em uma referência do seu segmento.

A ideia não tem mais endereço fixo, ela pode estar “fragmentada”, o que significa que a dependência da geração de ideias em áreas isoladas de criação é um grande risco, é preciso criar ambientes colaborativos, propícios a geração de ideias, mas mais do que isto, encontrar formas de captá-las na origem, e transformá-las em estratégia.

Este é o espírito desta edição do Festival Mundial de Publicidade que acontece em Gramado, fazer com que as diferentes disciplinas da publicidade reflitão sobre a importância e necessidade da ideia. E que, a cada dia, encontrá-la é mais difícil. Não é só mais um questão de criar a melhor ideia, e sim a de transformar o emaranhado de informações disponíveis em uma ideia que gere resultados reais.

* Este meu texto foi originalmente publicado no Jornal Oficial do Festival Mundial de Publicidade.

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