O fim da era da intuição na comunicação

Li em dezembro uma reportagem com o genial Nizan Guanaes – que merece todo o respeito por ser um Fazedor – afinal ele construiu um verdadeiro império da comunicação do nada. Mas o fato dele ser quem é, não justifica alguma coisas totalmente incoerentes que ele fala quando refere-se a sua  “nova agência” – de nova não tem nada, algumas frases dele:

“Faço tudo que o cliente pediu, só que do meu jeito”

“Os clientes estão contratando o discernimento e a intuição de um publicitário de 30 anos de experiência”

“Ela tem esse nome porque é zero de burocracia e quase zero em pesquisa”

E para encerrar suas frases, essa pérola:

“Se quisera fazer tudo de olhos abertos, seus olhos vão te enganar. Sente, ouça, use os outros sentidos, seja jedi.”

Com todo o respeito a tudo que ele já fez, Lamentável.

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Sem dúvida a Experiência – que é carregada sempre de intuição – é um aspecto importante para criar estratégias de comunicação para marcas, mas desconsiderar aspectos como Informação e Inteligência coletiva não é algo admissível. Se o único veículo de comunicação existente fosse a TV, onde o público não consegue interagir, ou seja, a opinião do consumidor não faz diferença nenhuma, talvez esse conceito faria algum sentido.

O mais engraçado é que esse pensamento surge no momento em que o mundo estuda a inteligência de dados, ou seja, antes de estruturar a comunicação da marca, ouvir a voz do consumidor em tempo real e a partir de padrões identificados direcionar uma estratégia que converse melhor com o público. Partir da necessidade e interesse das pessoas e não da marca, saber como que a marca efetivamente participa da vida das pessoas e “entender” como transmitir uma mensagem que seja melhor compreendida por todos. Obviamente que a polêmica gera audiência e que ele vai convencer seus amigos – grandes marcas – a experimentarem esse conceito, o que estou dizendo é que até vai funcionar graças a história que o Nizan construiu até aqui, mas não chame isso de Nova Agência 😉

Ouvir o público, interpretar e comunicar, tudo em tempo real – ou seja, ao vivo, no momento que está acontecendo – isso poderia ser considerado Novo. Acredito também que planejamentos longos como a comunicação trabalhava no passado já não fazem mais sentido, é preciso ser mais dinâmico e ágil. Fazer tudo em tempo real permite inclusive que a agência trabalhe com um modelo comercial diferente, que seja baseado em performance e não em intuição. Um modelo que estimule a valorização da entrega real para o cliente e não para o Cannes para a agência. Menos valor para o ego de quem faz e mais valor para quem consome. Emoção sim, mas baseado em razão.

Ou seja:

Perfomance > Intuição