O Poder da Informação

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É preciso entender que Dado não é Informação. 

Um Dado Puro é o registro sem conexões ou interpretações. Uma informação gravada em seu estado natural, sem necessariamente contexto. Dados podem ser números, palavras, imagens, entre outros registros. O mais importante é entender que trata-se de um Dado Bruto, ou Raw Data como é chamado na área de informática, que é aquele dado/valor recolhido e estocado exatamente da forma que foi adquirido, sem qualquer tipo de tratamento ou interpretação. O dado é a representação física de um evento no tempo e espaço que não agrega fundamento para que o sente ou recebe, não podendo ser possível entender o que ele representa ou para que existe. Um Dado Puro registrado em uma rede social pode ter um sentido para quem escreveu, e um sentindo específico para cada pessoa que ler. Aquele Dado pode fazer muito sentido em nossa interpretação, ou simplesmente podemos estar dando um sentido que não tem nada haver com o sentido pensado por quem originalmente registrou o dado.

A Informação é o Dado organizado.

Um texto, por exemplo, pode ser uma informação, uma fonte de muitas informações ou um conjunto de informação. Se os Dados, quando agrupados, fizerem sentido para quem lê, ficando claro ou não ao que se refere, o Dado passa ser o valor de um determinado item. Quando recebemos uma determinado relatório, ele foi organizado de uma forma em que os dados fizessem sentido e permitisse a análise em um formato de Informação. O Dado Puro quando ganha contexto vira Informação, direcionada ou não, ele vira Informação. O valor da informação se da à qualidade com a qual é disponibilizada, reduzindo ou aumentando a probabilidade de interpretação ambígua pelo emitente. Quanto mais precisa a Informação, mais valiosa ela se torna. Quando alguém passa uma informação tem a intenção de ser compreendido pelo que realmente está dizendo e não que quem esteja recebendo essa comunicação faça sua própria “distorção” sobre o tema.

O Consumidor, a Comunicação e a Informação.

Certamente ao ler isso já ficou muito claro a ligação disso tudo com a área de comunicação que cria estratégias para marcas, que precisa passar informações sobre sua cultura e produtos para o público, muitas vezes em vão, pois não são compreendidas pelo público da marca, gerando campanhas de comunicação desastrosas, e normalmente impossíveis de serem mensurados. Mas ainda não vamos falar desse aspecto da Informação, por enquanto vamos nos deter ao poder da informação.

A Informação pode ser algo muito Poderoso, se entregue para as pessoas certas.

Quando digo poder da informação, me refiro ao fato de organizar os dados de uma forma tão eficiente que gere uma informação de fácil e rápida compreensão para todos que a receberem. É natural que diferentes públicos precisam de informações diferentes para melhor compreender uma mensagem, afinal possuem contextos diferentes para os dados. Quando um cientista político lê um dado referente à uma campanha política ele têm uma visão diferente de um leigo no assunto, que avalia a opinião de um determinado candidato baseado em sua realidade. Pontos de vistas diferentes sobre o mesmo dado que geram interpretações e informações distintas. A democratização da informação é uma realidade graças a grande quantidade de dados que temos a disposição nos dias de hoje. Chegamos em um momento onde um cientista da informação prevê um resultado de uma eleição com mais eficiência do que um cientista político, ou seja, o conhecimento científico supera a experiência no assunto. Foi isso que ocorreu nas eleições americanas em 2012, quando Barack Obama foi reeleito presidente dos Estados Unidos. Enquanto experientes analistas políticos previam uma acirrada disputa entre os candidatos a presidência, analistas de dados geraram um minucioso relatório baseado somente em dados prevendo 30 dias antes o resultado da disputa. Esse relatório foi publicado como análise científica e não como forma de influência social, e teve uma margem de acerto muito próximo da resultado real, que divergia totalmente da opinião dos analistas políticos. A equipe de Barack Obama considerou tanto essa ciência de dados em sua estratégia que chegou a construir um espaço específico para a construção desse tipo de inteligência, um local chamado “The Cave” que tinha como objetivo compreender os dados e transformar em informações relevantes para a estratégia da campanha.

A Democratização dos Dados.

Até poucos anos atrás, a Informação originava-se ou de grandes grupos de pesquisa ou veículos de comunicação, graças a seus poderes aquisitivos, mas não necessariamente são os mais indicados para realização de tal tarefa, e sim por sua capacidade financeira para fazê-lo. Eles não possuíam gênios de interpretação para gerar as informações, mas podiam comprar Dados que custavam muito caro, e muitas vezes nem era possível entender de onde vinham. Por possuírem acesso aos Dados, tinham maior capacidade de transformar em Informação e repassar para a sociedade, muitas vezes conforme sua interpretação destes dados. Mas isso acabou. Os Dados não estão somente nas mãos desses grandes grupos, está disponível e ao alcance de todos. A internet é uma grande banco de dados, que guarda um grande volume de interações humanas. Esses registros refletem aspectos do comportamento humano colocados lá de forma expontânea, as vezes estimulada, mas na maioria das vezes sem que ninguém tenha solicitado de forma explícita. Mais do que estar ao alcance de todos, é em tempo real. As pessoas dizem do que gostam, onde comem, quando comem, fotografam, fazem vídeos, e publicam tudo isso em grandes volumes todos os dias.

Todos esses dados são colocados em espaços públicos da internet, diga-se redes sociais, sites, blogs, entre tantos outros bancos de dados existentes na rede mundial de computadores. Sim, esses espaços são públicos, apenas leia os contratos de adesão de empresas como Google, Facebook, Twitter, entre outros, lá você encontrará informações que explicam o aspecto público da internet e como suas “informações pessoais” são armazenadas em grandes bancos de dados para os mais diferentes tipos de uso. Gostei muito de uma frase escrita por Stephen Kanitz: “Se você adora usar serviços grátis (google, facebook, hotmail,…) lembre-se que o produto que eles realmente vendem é você.”.

A Democratização da Informação.

Tudo que acontece na internet é registrado, está em algum banco de dados, e alguém em algum lugar tem acesso a isso. Mas muitos desses dados estão disponíveis para todos, são públicos mesmo. Um bom conhecedor de sistemas consegue acessar, sem cometer nenhum tipo de infração. São bancos abertos, sem necessidade senhas ou qualquer outro tipo de impeditivo. Muitos programadores criam softwares experimentais para analisar dados das redes sociais, você pode encontrar esses tipos de programas com uma simples busca na internet, e poderá testar a consulta de uma determinada palavra chave e em poucos segundos terá como resultado: quem registrou, onde e quando. A era da internet trouxe junto com ela a democratização da informação, e como consequência o maior banco de dados sobre comportamento já construído, na verdade, algo nunca nem imaginado. Mas precisamos lembrar que esse banco de dados não é estruturado para atender todos os fins, ou seja são dados não organizados. O que pode parecer ruim é o grande diferencial, por não serem organizados, permitem diferentes tipos de visões e análises, gerando assim diferentes tipos de informação, que podem virar Conhecimento.

Quando a Informação vira Conhecimento.

O conhecimento é resultado de várias informações organizadas de forma lógica o suficiente para criar um evento, tornar possível um evento ainda não conhecido ou o poder de entender um evento, suas causas, eventos anteriores e suas causas, eventos da causa, evento resultante de causa, o poder de manipular eventos e causas. Isso significa que quando a Informação vira Conhecimento, passa a ter poder para transformar-se por em estratégias, marketing, inteligência competitiva, inovação, comunicação. Grandes veículos de comunicação comandaram nações e transformaram pensamentos coletivos conforme seus interesses particulares, o poder estava na mão deles, tinham os dados antes, escolhiam o que era interessante mostrar, e geravam informações baseados em seu principal interesse: a audiência. Esse controle da informação os deixou muito poderosos, mas a internet colocou tudo isso a prova. As informações chegam antes através das redes sociais das pessoas, os veículos passaram a ser formadores de opinião, assim como pessoas comuns são. Qualquer pessoa pode ser um formador de opinião, pois tem condições de ter a mesma informação na mesma velocidade e quantidade de qualquer grande veículo, pode analisar, interpretar e registrar a sua própria opinião sobre qualquer fato. Hoje alguns comunicadores possuem uma audiência proprietária (fãs, seguidores,…) maior do que grandes grupos, e influenciam pessoas mais do que os canais tradicionais. A informação está passando pelas pessoas e depois chegando nos grandes veículos de comunicação. O fluxo da informação se inverteu, qualquer um pode utilizar-se do Poder da Informação.

Quando o Conhecimento vira Comunicação.

Saber as preferências do público da marca antes – aquelas preferências que mudam de forma instantânea e que são atualizadas nessa mesma velocidade nas redes sociais – e fazer comunicação em tempo real tornou-se uma realidade. Agências de comunicação parecem ainda não terem compreendido isso de forma tão clara, mesmo percebendo que os veículos tradicionais já não tem o mesmo poder que tinham anteriormente, que já não influenciam mais como antes, que não possuem mais a audiência que tinham, todos continuam baseando-se nesse antigo modelo de negócio. Parece muito óbvio os motivos, já que esse negócio é sustentado por um modelo comercial entre veículo, agência e anunciante, totalmente baseado em comercialização de mídia. Acostumaram-se a viver assim, mudar é difícil, mesmo percebendo que as mudanças estão ocorrendo em volta desses três elementos, a sobrevivência deles depende da continuidade desse processo. Marcas anunciantes já questionam o modelo, perceberam que possuem uma audiência proprietária muitas vezes maior do que dos veículos de comunicação que os atendem, e começam a pressionar o modelo. Estão buscando a informação de forma direta e percebendo o poder que podem ter com isso. Grandes marcas como Coca-Cola, Pepsico, Dell, Nestlé, entre outros, criaram centros de monitoramento para ter acesso direto a audiência, e baseado nisso estão levando as respostas para suas agências de comunicação. Isso apenas ressalta a afirmação que fiz anteriormente: o fluxo da informação se inverteu, e assim o poder está mudando de lugar. Quando a informação muda de lugar, o poder também muda.

Isso muda tudo para o marketing. A informação precisar ser o pilar principal da construção e manutenção de estratégias, não haverá mais espaço para a intuição controlar esse processo.

3 comentários Adicione o seu

  1. Douglas disse:

    Gostei bastante do texto.

    Lembrando que o conhecimento atrelado a busca constante pela libertação do sistema adestrador é o indicativo de uma real compreensão da dominação existente.

    Quando publicar mais textos me notifique por favor.

    Mais uma vez ótimo texto.

    1. Obrigado Douglas pelo feedback🙂
      Já que vc falou em “dominação existente”, tenho uma recomendação de livro pra vc.
      O livro chama-se “O Fim do Poder” o autor é Moises Naim, e ele conta como o Poder está mudando de forma, lugar e tempo, vale a pena a leitura dentro do contexto que vc comentou.
      Um abraço
      Cappra

  2. Lucas Martins disse:

    Realmente a informação tem muito poder!
    Nas mãos erradas, informações podem ser armas contra quem as originou.
    Nas mãos certas as mesmas informações podem ser sinônimo de progresso!
    Magnífico.
    Ótimo texto! Obrigado pela leitura.
    Abraços.

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